O desafio que hoje se coloca aos países da América Latina e Caribe é criar uma rede de trocas e colaboração em torno de uma temática que vem ganhando cada vez mais espaço na mídia, no cotidiano do cidadão e nas agendas de governos em todo o mundo: o papel das TICs na educação a partir de uma perspectiva de desenvolvimento humano e social.
O cenário do século XXI, fortemente alterado pela revolução informática e seus desdobramentos sociais, exige a revisão das políticas públicas de educação em nossos países, não apenas do ponto de vista da universalização do ensino, como cada vez mais intensamente, do ponto de vista de sua qualidade. Em uma sociedade em que produzir e consumir informações e bens culturais depende, em grande medida, do acesso e da proficiência em tecnologias da informação e da comunicação em suas diversas facetas, é natural, e mesmo desejável, que os sistemas educativos operem também uma revisão de paradigmas, pressupostos e procedimentos.
Vários são os pontos nos quais educação e tecnologias se encontram para gerar novidades que podem contribuir com o que se entende por “qualidade na educação”, mesmo em um aspecto bastante impreciso desse termo. Por exemplo: e-learning, comunidades virtuais de aprendizagem, objetos de aprendizagem, recursos de acompanhamento e avaliação, recursos de publicação e de autoria para alunos e professores, divulgação de estudos e textos científicos e didáticos, livre circulação de informação.
Mas há muito que problematizar, construir, refletir, experimentar e sistematizar para que as TICs concretizem, na escola, as promessas que anunciam. Os responsáveis pelas políticas públicas educativas nos diversos países ibero-americanos vêm fazendo, em maior ou menor escala, investimentos de infra-estrutura, capacitação docente e produção de conteúdos digitais educativos, assim como ampliando a compreensão de sua importância no desenvolvimento humano e social das futuras gerações.
Nesse contexto, ganha importância a construção de instrumentos de acompanhamento e parâmetros de avaliação dessas políticas, assim como diretrizes para o êxito de projetos dessa natureza. Tais esforços vêm sendo empreendidos em redes de colaboração. Entre as iniciativas regionais para o enfrentamento deste desafio citamos a criação da Red Latinoamericana de Portales Educativos - RELPE e o compromisso dos países na consecução das metas do Plano de Ação Regional para a Sociedade da Informação na América Latina e Caribe - eLAC 2010.
O IDIE iniciou suas primeiras ações, já integradas a essas iniciativas. A principal delas é a produção de um estudo que avançará na construção de indicadores para a compreensão do impacto das novas tecnologias na aprendizagem e na construção de uma educação integrada à realidade e às necessidades sociais cognitivas do cidadão na sociedade da informação e do conhecimento. Esse é um dos aspectos mais relevantes para orientar tais políticas. Tal estudo resultará em um documento a ser amplamente debatido na região por diversos setores, em etapas que ocorrerão ao longo dos anos de 2008 e 2009 para disseminar e qualificar esse debate.
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